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Cisto Pilonidal

O que é?

A doença pilonidal,  também conhecida como cisto pilonidal é uma doença da pele da região do sulco interglúteo, que é a área rebaixada, uma depressão vertical entre as nádegas (ou na linguagem popular, o equivalente a área do “cofrinho”). O sulco interglúteo, é esta pele que fica na região sacrococcígea – atrás dos ossos chamados sacro e cóccix, pode conter pêlos ou simplesmente áreas de pele têm tendência a inflamação crônica e repetitiva.

Quais as causas?

Até hoje não se sabe ao certo o por quê algumas pessoas desenvolvem doença do cisto pilonidal.

Antigamente, acreditava-se que a doença do cisto pilonidal era congênita. Existe uma teoria que o cisto seria um resquício da ligação entre os ligamentos da coluna vertebral com a pele da região, pois estes tem a mesma origem embriológica, advindos do que seria uma remanescente “cauda” que tivemos antes, que foi eliminada com a evolução da espécie humana.

Hoje sabe-se que existem cistos adquiridos, e que a doença do cisto pilonidal  está diretamente relacionada à presença de pêlos e ao atrito região. Entretanto, a presença de ambas destas condições não é obrigatória. Ou seja, mesmo pessoas que têm muitos pêlos podem não ter cisto pilonidal, assim como existem pessoas que quase não têm pêlos na área, mas  por exercerem atrito constante – tais como:  sentar-se em bicicleta, motocicleta, pacientes que possuem glúteos que predispõem ao fechamento e contato constante entre as nádegas – podem desenvolver a doença.

Quais os sinais e sintomas?

A simples presença do cisto não significa que ele está inflamado. Ele pode ficar lá “quieto”, de forma assintomática. Porém, há uma predisposição desta pessoa à desenvolver uma infecção crônica da pele se o cisto ficar sendo irritado repetitivamente com o atrito. Assim, com o tempo, esta pele vai ficando doente, cada vez mais espessa, cheia de cavidades e tendenciando a inflamação crônica e infecção (que é a inflamação com presença de bactérias) – ou seja – formação de abscesso ( “furúnculo”, carbúnculo).

Os pêlos na região podem agloremar-se e adentrar nessas cavidades, piorando o quadro e acrescentando assim uma reação de corpo estranho.Os jovens são os principalmente acometidos, geralmente entre 2ª e 3ª décadas de vida, isto porque o paciente muitas vezes desconhece que tem o cisto, e só descobre quando acontece um episódio de infecção.

Os cisto são mais comuns nos homens. Mulheres tendem a ter o diagnóstico mais cedo. Praticamente inexistente após os 45 anos de idade, devendo-se pensar em outras condições.

gravidade da doença se dá pela extensão da pele acometida, o que pode ser medido de forma indireta pela quantidade de orifícios que se formam no meio, no sulco interglúteo, com evolução de cima para baixo. Quanto mais episódios de entupimento dos cistos e suas respectivas inflamações, mais orifícios de reação de “saída” se formam, de maneira ascendente. Além de subir na região interglútea, os cistos podem muitas vezes formar trajetos de escape laterais e apresentarem-se como elevações,  “bolinhas” laterais à região da linha média  que contém um orifício no seu centro, por onde pode sair secreção. Nesta fase mais grave, é importante diferenciar de outras doenças da região que confundem o diagnóstico. Portanto o exame físico de um médico experirente pode sinalizar o diagnóstico correto. Não hesite em procurar um especialista. Consulte um Coloproctologista ou Proctologista.

Cisto Pilonidal

Tipos e detalhes da cirurgia

A cirurgia é geralmente realizada com raquianestesia (punção que é feita na coluna). O tipo de cirurgia vai variar de acordo com o tamanho da região acometida.

Regiões pequenas resolvem com simples abertura, remoção do tecido doente e aproximação parcial das bordas, com ou sem seu fechamento completo. Quando é feita esta cirurgia mais simples de abertura e fechamento parcial, o paciente normalmente recebe alta no dia seguinte. A recuperação para as atividades é mais rápida.

No geral, o fechamento parcial – técnica semiaberta – deixa uma boa cicatrização, a qual, apesar de ser longa – 5 a 7 semanas –  permite  uma recuperação rápida do paciente logo após a cirurgia e retorno mais precoce às suas atividades.

INCISÃO SIMPLES:

Abertura dos orifícios de cisto com comunicação dos mesmos e posterior sutura com aproximação de suas bordas.

Mesmo com a ferida semiaberta, o paciente pode retornar a sua rotina muito antes das 5 semanas de cicatrização, fazendo uso de pomadas locais, higiene do local e depilação da região durante este período e até 6 meses após.

Entretanto, em pacientes com cistos maiores é preciso a remoção de uma área maior de pele. Nestes casos, e, principalmente, nos casos que já foram operados outras vezes, se faz necessário a remoção completa da região, com sutura (fechamento com pontos) e rotação de pele (retalho cutâneo), para que o fechamento da pele ocorra sem tensão.

Esta região é muito dificil de aproximar com pontos sem que eles fiquem tensos. Por isso a necessidade de que parte da pele ao redor seja literalmente levada para o meio, a fim de que os pontos não fiquem puxando ou tensos, o que favorece à abertura e à falha da cirurgia.

Existem vários tipos de retalhos, sendo os mais utilizados o retalho lateral , em que um corte lateral é feito e a pele é entao rodada para o meio da ferida e suturadas, e o retalho V-Y, em que ambas as peles laterais são recortadas e levadas para a sutura ao meio. Pode ser preciso deixar um dreno na região, que ficará por 5-7 dias fazendo a sucção de secreções

RETALHOS CUTÂNEOS:

Áreas de pele cortadas e levadas até a linha mediana para permitir o fechamento sem tensão.

Nestes casos a cirurgia é de um porte maior e exige um repouso pós operatório um pouco mais prolongado que a sua simples abertura. Porém a cicatrização é mais rápida, já que são dados pontos aproximando a ferida, em torno de 2-4 semanas.

Nas técnicas de retalho, apesar de uma cicatriz bem maior, no geral tem baixo índice de recorrência. O paciente recebe alta 1 a 2 dias após a cirurgia, com cuidados pós operatórios de higiene do local e evitar sentar-se  até 7 dias após a cirurgia, sendo mais limitante na fase inicial do pós operatório. Contudo, a cicatrização é mais rápida, podendo ocorrer de 2- 4 semanas após, salvo em casos de soltura de pontos. Os pontos são retirados após 7 dias.

Figura 1

Cicatrização em faixa, com abertura profunda.

Cuidados locais

Observe a presença de sujeira e pêlos prejudicando a cicatrização adequada.

Recorrência

risco de recorrência, ou seja, de “voltar” a ter o cisto está diretamente relacionado ao tipo de cirurgia, ao tamanho de pele doente e também aos cuidados pós operatórios. Mesmo nos cistos menores, se não são feitos cuidados pós operatórios adequados, pode ocorrer a recidiva. Muitas vezes não é que foram deixados cistos ou pele doente, mas sim, a pele ao redor cicatrizou de forma errônea. A pele mais superficial, de cima, se fecha, (FIGURA 1) ou algumas vezes cicatriza em faixas, porém a pele abaixo permanece com uma cavidade, que se não for limpa, se permanecer com pelos na região, pode deixar resquícios de pele doente. Assim mesmo após o fechamento da ferida, podem retornar os mesmos sintomas iniciais do cisto.

Orientações para Cisto Pilonidal

Semiaberta

Medidas gerais

Limpe bem a região, porém com delicadeza.

Independente de ter sido ou não operado a higiene local é fundamental tanto para diminuir o número e gravidade de infecções, quanto para a cicatrização adequada. Porém não deve ser feita de forma bruta. Esfregar com força ou causar trauma na pele da região pode só piorar o cisto. Lave com movimentos circulares e laterais, sempre com muito sabão, de preferência líquido. Evite a esfregar no sentido norte x sul, de cima para baixo. Isso piora o atrito. Faça movimentos circulares ou laterais – de um lado para outro – com bastante sabão durante o banho. É fundamental a higiene da região abrindo bem as nádegas, o que pode ser difícil em alguns casos e exigir ajuda de uma segunda pessoa no pós operatório. Não fique com vergonha de pedir ajuda à alguém. É bem melhor do que acumular sujeira interna por dias e prejudicar a cicatrização.

Depile a região por no mínimo 6 meses após a cirurgia.

Os pêlos ao redor da ferida podem ser levados para o meio e infeccionar e até mesmo inverter a cicatrização de dentro para fora. A depilação pode ser feita com cera nos casos não operados em que não se tem inflamação e o paciente aceita, ou por raspagem cuidadosa 1-2 x na semana – dependendo do crescimento dos pêlos. Não deixe que os pêlos ultrapassem 0.5 cm. Abra bem a região e raspe também os pêlos ao meio, que costumam ficar mais escondidos. Esses são os principais, pois estão nas áreas mais próximas ao cisto.

Evite usar o papel higiênico diretamente na região após a evacuação.

De preferência, faça a higiene com jato fraco de água (ducha ou bidê) ou lenço umidecido, abrindo bem as nádegas para que o jato possa chegar até as áreas mais escondidas, porém sem força, com delicadeza. Lave delicadamente com sabão neutro e seque com toalha (preferência) ou papel higiênico. Se for preciso usá-lo, use-o de prefência úmido, limpe de frente para trás, poréme não carregue o papel muito para trás, para nãolevar fezes para a região do sulco interglúteo.

Após a cirurgia:

Atenção normal à primeira evacuação

É normal logo após a cirurgia alguns pacientes terem uma evacuação mais “presa”, como efeito residual de medicamentos e da raquianestesia. Porém, é importante lembrar que os músculos da evacuação não foram mexidos durante a cirurgia, que normalmente se limita a pele, e que efeito residual das medicações e anestesia passa rapidamente. A evacuação deve ocorrer sem dor, portanto, não tenha medo, nem fique nervoso. Aguarde o seu organismo chamar, e quando tiver vontade, simplesmente vá ao banheiro e faça. Não demore no vaso. Logo após a primeira evacuação o seu intestino retornará ao normal. Após a evacuação faca a higiene conforme orientado anteriormente.

Na técnica semiaberta:

Atenção normal à primeira evacuação

  • Não há restrição para mexer-se. Ande normalmente após a cirurgia.
  • O curativo pode ser retirado logo após levantar-se. Lave a ferida normalmente com água e sabão. Enxugue-a com delicadeza, deixando-a levemente úmida e após isso abra bem as nádegas e passe a pomada nas regiões cruentas (na área aberta). Preencha bem a ferida ao fundo e ao meio com a pomada. Não é necessário passar a pomada cicatrizante na pele ao redor.
  • No início será necessário o uso e troca de gazes na região do meio, o que vai progressivamente diminuindo com a menor quantidade da secreção expelida, até que a da gaze seja eliminada.
    Sempre que possível, não deixe a ferida fechada, mesmo no início. Quanto mais ao “ar livre” a ferida estiver, apenas com a presença da pomada, mais rápido ela cicatrizará. Feridas fechadas guardam bactérias e sujeira, por isso exige a troca de curativo diversas vezes durante o dia para manter a limpeza.
    Quando a ferida estiver mais seca, coloque absorvente íntimo feminino grudado na calcinha ou cueca na área posterior interna que veste a área da cirurgia, e apenas passe a pomada no meio. Assim a roupa fica menos suja, os absorventes podem ser trocados e a ferida não fica fechada.
  • Nas áreas ao redor se quiser, opte por cremes hidratantes, de preferência levemente oleosos.  Isso hidrata e protege a pele ao redor, mantendo-a saudável.
  • Retorne ao médico conforme indicado.

Orientações para Cisto Pilonidal

Retalho

Medidas gerais

Limpe bem a região, porém com delicadeza.

Independente de ter sido ou não operado a higiene local é fundamental tanto para diminuir o número e gravidade de infecções, quanto para a cicatrização adequada. Porém não deve ser feita de forma bruta. Esfregar com força ou causar trauma na pele da região pode só piorar o cisto. Lave com movimentos circulares e laterais, sempre com muito sabão, de preferência líquido. Evite a esfregar no sentido norte x sul, de cima para baixo. Isso piora o atrito. Faça movimentos circulares ou laterais – de um lado para outro – com bastante sabão durante o banho. É fundamental a higiene da região abrindo bem as nádegas, o que pode ser difícil em alguns casos e exigir ajuda de uma segunda pessoa no pós operatório. Não fique com vergonha de pedir ajuda à alguém. É bem melhor do que acumular sujeira interna por dias e prejudicar a cicatrização.

Depile a região por no mínimo 6 meses após a cirurgia.

Os pêlos ao redor da ferida podem ser levados para o meio e infeccionar e até mesmo inverter a cicatrização de dentro para fora. A depilação pode ser feita com cera nos casos não operados em que não se tem inflamação e o paciente aceita, ou por raspagem cuidadosa 1-2 x na semana – dependendo do crescimento dos pêlos. Não deixe que os pêlos ultrapassem 0.5 cm. Abra bem a região e raspe também os pêlos ao meio, que costumam ficar mais escondidos. Esses são os principais, pois estão nas áreas mais próximas ao cisto.

Evite usar o papel higiênico diretamente na região após a evacuação.

De preferência, faça a higiene com jato fraco de água (ducha ou bidê) ou lenço umidecido, abrindo bem as nádegas para que o jato possa chegar até as áreas mais escondidas, porém sem força, com delicadeza. Lave delicadamente com sabão neutro e seque com toalha (preferência) ou papel higiênico. Se for preciso usá-lo, use-o de prefência úmido, limpe de frente para trás, poréme não carregue o papel muito para trás, para nãolevar fezes para a região do sulco interglúteo.

Após a cirurgia:

Atenção normal à primeira evacuação

É normal logo após a cirurgia alguns pacientes terem uma evacuação mais “presa”, como efeito residual de medicamentos e da raquianestesia. Porém, é importante lembrar que os músculos da evacuação não foram mexidos durante a cirurgia, que normalmente se limita a pele, e que efeito residual das medicações e anestesia passa rapidamente. A evacuação deve ocorrer sem dor, portanto, não tenha medo, nem fique nervoso. Aguarde o seu organismo chamar, e quando tiver vontade, simplesmente vá ao banheiro e faça. Não demore no vaso. Logo após a primeira evacuação o seu intestino retornará ao normal. Após a evacuação faca a higiene conforme orientado anteriormente.

Na técnica de retalhos:

  • Não deite em cima da ferida nos primeiros 2 dias e evite sentar muito tempo até 7 dias.  Pode andar normalmente, porém evite o esforço de fletir o abdômen e esticar a coluna (posição sentada) por muito tempo. Foram dados pontos, e estes precisam de um tempo para cicatrizar-se.
  • O curativo deve ser retirado 24h após a cirurgia. Lave a ferida normalmente com água e sabão. Enxugue-a com delicadeza, deixando-a levemente úmida e após isso, deixe-a descoberta. Tenha mais cuidado na área inferior, onde deve=se abrir bem as nádegas e fazer a limpeza com cuidado. Passe óleo hidratante por toda a ferida, inclusive nas áreas com pontos.
  • Sempre que possível, não deixe a ferida fechada, mesmo no início. Quanto mais ao “ar livre” a ferida estiver, apenas com a presença da pomada, mais rápido ela cicatrizará. Feridas fechadas guardam bactérias e sujeira.
  • É normal sentir um pouco de dor e sensação de pele “repuxada”. Mantenha medicações de horário conforme indicação do médico.
  • Em caso de dreno, mantenha a sanfona do dreno sempre apertada, e sempre abaixo do corpo para que o líquido de dentro do dreno não retorne ao corpo.
    Meça a quantidade de líquido que saiu sempre no mesmo horário do dia.
    Quando for abrir a sanfona para medir a quantidade de líquido que saiu do dreno não se esqueça de fechar a trave plástica no conector, antes de abrir a sanfona.  Assim como não se esqueça de abrir a mesma novamente, após fechar e apertar a sanfona.
  • Algumas áreas podem soltar pontos. Não se desespere. Isso poderá cicatrizar normalmente. Pode ser preciso em algumas destas áreas a abertura parcial da região comprometida e uso de pomadas.  Mostre ao seu médico.

Ênfase em atendimento humanizado, prático e explícito aos seus pacientes.